“Abria a janela no sábado, com certo medo ao observar a rua. O olhar me parecia de uma mulher cansada, aborrecida – com a vida talvez, não a conhecia assim de perto. Mas de lá ela gritava, surgindo-lhe um bom-humor repentino: “Bom dia, querido!” para seu vizinho, que lá eu desconfiava ela ter um amor extra-conjugal.”

A desordem me define. Essa angústia, esse desgosto pela vida. Faz parte de mim, não existe sentimento em mim que não venha junto dele o de aflição. 

a teima

Logo cedo pensei: “hoje é dia de escrever”. Transportar um pouco dessa angústia que tá tomando conta de mim aos poucos, transportar um pouco pra cá, para as palavras. Que de certa forma me alivia, mas não por completo. E eu nem sei bem onde esse sentimento começou, se é que isso é um sentimento, ou se de fato “começou”.

Cada vez mais me decepcionando com o nada, com o ninguém. Não há com o que me decepcionar, não há por quê, mas ainda sim consigo. O vazio que me sucumbiu, o frio. Quero algo que me prenda, que me dê sentimentos, que me dê vontade.

“But, baby, is that really what you want?”

Não que eu precise de alguém. Não que eu precise de amor. Eu preciso ser tocada, sentir um calor. Sentir o calor. Nada em específico, pode até ser amor, mas que seja passageiro pra me fazer feliz assim… Por pouco tempo, o tempo que eu preciso pra sentir que ainda existo, pra sentir que ainda posso… Só preciso de um toque, um beijo… que seja teu.

E lá vem… Lá vem aquele sentimento chato, persistente, que insiste sempre chegar nos momentos mais impróprios. Por quê? Eu realmente não queria sentir isso, sentir essa… Ah essa saudade. É… Saudade, eu sinto. Só não sei definir de quê.

Eu adorava aquela época que a gente se adorava. Eu amava aquela época que a gente se amava. Fazer bobices, falar bobices. Hoje as bobices são outras e eu não adoro ou amo quaisquer delas. Hoje eu sou só eu,  não sou mais você e eu.

Não costumo sentir falta, ou precisar de alguém… Mas agora por incrível que pareça me deu uma vontade de você. Uma vontade de te apertar, de te abraçar, de te beijar. Talvez isso passe, por que nunca tive esse sentimento, não sei como funciona isso. Nunca tive essa vontade. Agora tenho. Uma saudade repentina, não sei. Só sei que preciso de ti, preciso falar contigo, e tentar falar as coisas que eu sinto. 

                        Mas também preciso entender que nunca poderia falar nada disso;

Ela dizia que não queria, ela dizia que não aguentava, ela dizia que não podia. Ela queria, ela mais do que aguentava e sim, ela podia. Ele não a amava, ele não a dava atenção, ele não… ele não se importava. Já havia se importado. E ela? Cada vez mais entregava o seu amor ao desprezo, ao nada. Ela não fazia questão de rir, se divertir, viver. Ele ria, se divertia, com a tristeza dela, que já lhe tinha servido de amor.